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OS IMPACTOS DA PANDEMIA NO SETOR ENERGÉTICO DO BRASIL

Em 2020, a pandemia de Covid-19 pegou o mundo de surpresa. Todas as instituições sociais foram afetadas gravemente, e tiveram que se readaptar para conviver com o vírus. Sendo assim, a economia global foi sem dúvidas a mais afetada nesse processo, pois devido a quarentena e menos circulação de pessoas e bens, ela tendeu a ficar mais estagnada. Alguns países, como a Inglaterra, classificaram a crise gerada pela pandemia como a pior crise desde a Segunda Guerra Mundial. Nessa perspectiva, o setor energético, em especial o brasileiro, não se viu fora dessa crise.

Ao se imaginar uma crise energética, nossa imaginação tende a criar imagens de apagões. Entretanto, como observado nos últimos meses, o Brasil vem conseguindo se auto sustentar através de suas fontes energéticas apesar de casos isolados de insuficiência, como no caso dos apagões em Amapá. Imagina-se também que o consumo de energia tenha se aumentado, afinal, quanto mais residências consumindo energia, maior a necessidade de suprir essa demanda, certo? Bem, por incrível que pareça, o consumo de energia no país recuou no primeiro semestre de 2020. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a redução de consumo foi 4,5%. Mas como?

Apesar do aumento do consumo residencial devido ao isolamento social, as indústrias em sua maioria funcionaram com sua capacidade mínima, o que não demandou tanta energia. A queda de consumo só não foi maior, justamente devido às residências, mas mesmo com um número maior de lares consumindo mais, fora e dentro dos horários de pico, a sua demanda energética ainda é inferior a das indústrias. Isso pode ser observado no gráfico abaixo onde apresenta tal situação no estado do Paraná.


Figura: Variação do consumo mensal de energia no estado do Paraná. Fonte: Copel.

Outros modais de energia para o transporte, como a querosene de avião caiu 27% no mês de abril, comparado ao mesmo período de 2019 de acordo com a EPE, já que o tráfego aéreo foi fortemente atingido pelas restrições sanitárias.

É importante salientar que nesse período, pelo menos até o final de 2020, muitas distribuidoras de energia, até a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) congelaram impostos sobre a conta de luz residencial como medidas de ajuda sociais. Em contrapartida, os equipamentos de geração de energia, como a placa solar, ficaram mais caros. Isso possui consequências significativas no crescimento da produção de energia renovável no Brasil, pois compromete a adesão de novos consumidores como também de investimentos na área.

Infelizmente, tudo está na mão da logística da pandemia. Em períodos de baixa infecção, e reabertura do comércio, a economia respira e tende a ganhar força, mas em períodos de altas taxas de contaminação, e de medidas de seguranças mais restritivas, tende-se a voltar para o quadro acima descrito. Espera-se que após essa grande crise, todos os setores voltem a apresentar alta.


Jefferson Barroso Freitas

Luísa Caroline Alves


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